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domingo, 13 de outubro de 2013

A Ler: Spirou

Muitas pessoas vêem Spirou como uma cópia de Tintim devido à profissão (ambos são repórteres), "proeminência capilar" e a presença de um parceiro que serve como suporte cómico (Haddock em Tintim, Fantásio no Spirou). Apesar destas aparentes semelhanças, as histórias são completamente diferentes, enquanto Tintim se baseia no realismo, a ficção cientifica está sempre presente em Spirou. 
Uma característica presente em na série Spirou é o facto de não ter um autor fixo, tendo tido mais de 10 argumentistas e desenhadores diferentes, cada um com o seu estilo e abordagem às personagens, mantendo-se no entanto uma característica fundamental, Spirou é sempre o herói e Fantásio o seu sidekick. Existe no entanto um álbum (O Vale dos Banidos), em que Fantásio enlouquece e farta-se do seu papel secundário e pretende eliminar o protagonista para se vingar. Apesar de ser uma loucura momentânea, foi quebrada uma barreira interessante na BD, seria o equivalente de Haddock se revoltar contra Tintim, ou Blake contra Mortimer, existindo uma carga emocional na história pouco comum para uma BD que é suposto ser lida tanto por adultos como pelo mais novos.
Já que estamos em maré de comparações, é de realçar que a Revista Spirou ainda é editada mensalmente na Bélgica e França (em Portugal vende-se na Fnac), sendo o grande veiculo para novos autores de BD.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

A Ler: Michel Vaillant



Embora seja um clássico da BD Francófona, em Portugal não é muito popular e nunca percebi a razão deste "insucesso". Para começar tem um desenho extraordinário, principalmente no que toca aos veículos que são criados com grande detalhe. As personagens são interessantes, principalmente Steve Warson, o melhor amigo de Michel que além de servir de alívio cómico, é também o que apresenta maior número de emoções, sendo por isso o mais "humano" de todos.
Um aspecto que sempre me atraiu nesta série é a Vaillante, a marca (fictícia) pela qual Michel e Steve competem, pois é apresentada com realismo tendo exactamente os problemas que uma marca de automóveis passa, como dificuldades financeiras, abertura a novos mercados, patrocinadores, lançamento de novos modelos (o autor dá-se ao trabalho de criar modelos especificos da carros Vaillante) ou espionagem industrial.
Para quem gosta de automóveis e desporto motorizado, aconselho a leitura, pois além das aventuras existe uma forte componente de bastidores, como se prepara uma equipa para uma corrida, o que sentem os pilotos ou as estratégias (nem sempre honestas) para ultrapassar os adversários.
Um aspecto pouco comum é a forte presença de Portugal ao longo da série, existindo pelo menos 3 livros cuja acção decorre no nosso país.

domingo, 11 de março de 2012

Homenagem a Jean Giraud (Moebius)

Quem gosta de Banda Desenhada a sério conhecia certamente Jean Giraud e saberia que Moebius era o seu pseudónimo. Moebius era aliás mais que um pseudónimo, era praticamente um autor diferente. As diferenças de estilo e temáticas são tais que vou tratar os dois como autores distintos.
Como Giraud (que dos dois é o meu autor favorito) é conhecido como o desenhador do Tenente Blueberry, que é só umas das melhores séries de BD's de sempre, que conta com personagens complexas, cenários espantosos e o próprio protagonista é um anti-herói. Quem acompanha a evolução da série certamente que nota as diferenças de estilo ao longo dos álbuns, o que é uma prova da genialidade de Giraud.
Relativamente a Moebius, devo confessar que não me agradava tanto. Os desenhos eram muito bons (embora não tão bons como os de Blueberry) mas os temas mais psicadélicos e futuristas não me cativaram tanto.
Apesar de pessoalmente achar a BD Francófona infinitamente superior aos comics Americanos, o facto é que para se ser reconhecido mundialmente os autores têm de passar pelos superheróis (uma espécie de Real Madrid da BD). Também aí Giraud teve sucesso, tendo criado dois volumes do Silver Surfer, tendo obviamente vencido prémios.
Claro que um autor genial como ele, tinha de se destacar noutros campos, como no cinema onde foi responsável pelos cenários e desenhos de personagens de vários filmes como Alien, 5th Element e Tron. 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Ler: Blake e Mortimer

É um dos grandes clássicos da BD francófona. Esta série foi criada por E. P. Jacobs (que apesar de todo o mérito de Hergé) era quem desenhava e retocava a maioria dos primeiros albuns de Tintim.
Voltando ao tema: Blake é um capitão Galês do MI5 britânico, sendo o protótipo do oficial cavalheiro. Mortimer é um cientista Escocês, que acaba por se tornar a personagem principal da série e tal como Blake é um autêntico gentleman. O grande antagonista é o sinistro coronel Olrik, que é um homem inteligente e astucioso, que aparece em todos os livros (à excepção d' Armadilha Diabólica).
As histórias têm alguma influência Norte-Americana, principalmente no desenho e na temática da ficção cientifica, mas está de tal maneira "Europeizada" que é de facto um estilo praticamente original.
A acção decorre principalmente nos anos 50 (contemporâneo ao autor), mas de facto as histórias são bastante actuais, pois abordam-se questões como a alteração climática, viagens espaciais, robótica e a previsão da Internet.
Actualmente os livros são criados por outros autores, que têm respeitado o padrão original, mas claro, como tudo na vida, recomendo que comecem por ler os álbuns originais.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A Ler: Lucky Luke

Na Banda Desenhada a minha preferência vai totalmente para a Franco-Belga, principalmente a fase entre os anos 50 e principios de 80. É dentro deste período temporal que encontramos algumas das séries mais geniais e brilhantes da 9ªarte, temos o caso da minha favorita: Astérix, mas também Tintim, Blake e Mortimer, Blueberry, Spirou e... Lucky Luke.
As histórias de Lucky Luke são muito mais simples que outras suas contemporaneas, mas é exactamente esta simplicidade que a torna diferente. Os desenhos são extremamente cómicos e um observador atento encontra sempre algum "rabisco" engraçado nos quadradinhos. O universo de Lucky Luke está cheio de personagens, muitas delas reais, como antigos presidentes dos EUA ou outras personalidades famosas do século XIX, dando à série um carácter didáctico, pois o respeito por estas pessoas nunca é perdido mesmo tratando-se de uma série cómica.
Infelizmente Lucky Luke é talvez o melhor exemplo do declínio de uma série de BD: Numa primeira fase (1948-1958) era apenas Morris que desenhava e escrevia, os desenhos eram algo toscos e as histórias apesar de cómicas eram demasiado ingénuas e algo frágeis. Entre 1958 e 1977 assitimos à sua fase de ouro, devida essencialmente ao maior génio (na minha opinião, mais que Hergé) do mundo da Banda Desenhada: René Goscinny, o escritor de Astérix. Esta é a fase onde são publicados os melhores álbuns, as melhores histórias e os melhores desenhos. Em 1977 ocorre o falecimento precoce de Goscinny, e Morris associa-se a vários autores até 2002 (data da sua morte) nesta fase nota-se um declínio evidente da série (tinha perdido o seu melhor escritor) sendo este mais vincado nos anos 90, onde os desenhos perdem riqueza, naturalmente devido ao envelhecimento do desenhador, os quadradinhos perdem paisagens e cenários, aparecendo por detrás das personagens, fundos de uma só cor. Além de um evidente copy + paste de desenhos, pois o mesmo desenho de uma personagem aparece por diversas vezes no mesmo álbum.
Actualmente a série está no declinio completo, com novos autores que não conseguem incutir a qualidade necessária. (a série Astérix atravessa o mesmo declínio, mas ao menos os desenhos mantiveram a qualidade).
Enfim se têm curiosidade ou gostam de Banda Desenhada e conhecem mal a série Lucky Luke recomendo-vos a leitura dos livros entre 1953 e 1991.

domingo, 4 de janeiro de 2009

A Ler: Dilbert

É uma das Bandas Desenhadas mais populares dos Estados Unidos, mas por cá infelizmente ainda é muito desconhecida. O facto de não ser muito popular em Portugal pode dever-se aos temas que aborda: críticas ao mundo empresarial, político e social, jogos de palavras e humor corrosivo.
A personagem principal é Dilbert, um brilhante engenheiro que trabalha numa multinacional chefiada por autênticos idiotas. Apesar de relativamente bem sucedido não tem vida social (as mulheres fogem dele) tendo como companhia o seu cão Dogbert, que é bastante inteligente e que tem como objectivo de vida dominar o mundo (um pouco à semelhança do Stewie do Family Guy, mas nas primeiras temporadas quando era realmente engraçado).
As histórias giram normalmente em volta da empresa de Dilbert e a sua relação com os colegas, todos eles inteligentes, mas que têm de lidar com o chefe que é um bronco.
Vale a pena ler pois apesar dos exageros o modo de funcionamento das multinacionais e do sistema político está todo lá.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

A Ver: Les Aventures de Tintin


Aqui está uma série que respeita quase na perfeição a BD original! normalmente as adaptações para televisão ou para cinema não são muito fiéis, mas no caso desta série, não, até parece que foi o próprio Hergé quem a realizou!

A Ler: Tintim (Hergé)


Os livros do Tintim, deverão estar entre os mais populares e os mais polémicos do mundo da Banda Desenhada. De facto estas aventuras são conhecidas em todo o mundo, incluindo nos EUA que nunca ligaram muito a BD Europeia (de facto a dupla Steven Spielberg/Peter Jackson estão a preparar uma trilogia de filmes baseado na personagem).
Os livros do Tintim destacam-se dos demais pelas histórias envolventes (que são tão diferentes como tráfico de droga, ficção científica, política, escravidão, ciência ou simplesmente amizade), pelas viagens e pelo seu desenho simples, mas simultaneamente cheio de pormenor e vivacidade.
Apesar de tudo alguns livros, principalmente os primeiros são alvo de polémica e censura por se demonstrarem anti-comunistas, colonialistas e anti-semitas. Felizmente esses primeiros volumes foram redesenhados e reescritos mais tarde para se tornarem politicamente correctos para o leitor actual.
Apesar de todos os problemas é unânime que as aventuras de Tintim são um marco na Banda Desenhada e um ícone do século XX

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A Ler: Zits


Uma banda desenhada Norte-Americana do género do Calvin & Hobbes e Fox Trot. As histórias têm como protagonista Jeremy Duncan, um adolescente de 15 anos que tem os problemas normais da idade: é inseguro, melancólico e sonha ser uma lenda do rock. A parte mais cómica desta banda desenhada provém da sua relação com os seus pais que frequentemente o envergonham em frente dos seus amigos e do seu sonho de recuperar uma carrinha Volswagen dos ans 60 e percorrer os Estados Unidos com o seu amigo Hector.
Já me apercebi que mesmo pessoas que não gostam de Banda Desenhada, costumam gostar desta série, pois por vezes sentem-se identificados com o humor e com as personagens.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

A Ler: FoxTrot (Bill Amend)


Eu sempre gostei de comics dos jornais, toda a gente conhece o Calvin and Hobbes, mas nem todos conhecem FoxTrot. Esta BD é sobre uma familia Americana, tipica dos suburbios, perfeitamente normal, e as historias andam em torno da vida normal (mas sempre com muito humor!), é quase uma espécie de Seinfeld em banda desenhada.

As personagens principais são: Jason Fox, um miudo com 10 anos que é um autêntico génio, inventa imensas máquinas e programas de computador, é o estereótipo do cromo. O seu irmão mais velho é Peter Fox, finalista do liceu e adora desporto (embora não seja grande coisa a praticá-lo). A irmã deles é a Paige Fox, a quem os dois irmãos fazem a "vida negra", adora fazer compras e tem um medo terrível de Quicy, a iguana de Jason. Por ultimo temos os pais, Roger e Andy, que também são bastante cómicos e tentam apaziguar as guerras entre os filhos.

Actualmente é a banda desenhada nos EUA com mais popularidade.

domingo, 10 de junho de 2007

Primeira e última tira de Calvin and Hobbes


1ª tira: 18 de Novembro de 1985




Última tira: 31 de Dezembro de 1995

Para ver melhor clicar nas imagens

sábado, 9 de junho de 2007

A Ler: Calvin and Hobbes (Bill Watterson)



Cresci a ler estes livros, mas só quando atingi uma certa idade, é que percebi o verdadeiro significado e a profundidade das histórias... não é por acaso que apareciam tiras do Calvin no meu livro de filosofia do 11º ano.
Como se sabe, Hobbes não é um tigre verdadeiro, mas sim um tigre de peluche animado pela imaginação de Calvin, o mesmo se passa com os seus alter-egos, Astronauta Spiff (uma espécie de Flash Gordon), o Homem Estupendo (o super herói que só tem vitórias morais) e Tracer Bullet (uma espécie de Dick Tracy).
No inicio da coleccção, os albuns eram bastante cómicos, mas com o avançar do tempo, apesar de manterem o humor foram-se tornando casa vez mais profundos e mágicos. Vale mesmo a pena ler...

quarta-feira, 11 de abril de 2007

A Ler: Mafalda (Quino)

Quem não conhece a Mafalda? É uma das banda-desenhadas mais conhecidas do mundo, e que melhor analisou a política internacional dos anos 60. Quino o autor da série conseguiu formar um conjunto de personagens (quase todas crianças) e dar-lhes vida e um sentido crítico e filosófico excepcional... além de todo o seu humor.
As personagens principais são:
Mafalda-A rapariga com seis anos que mais se deve preocupar com politica! é uma rapariga curiosa, pessimista e contestatária e muito sincera, um ícone dos anos 60 e 70;
Os pais de Mafalda-Devem ser os pais mais pacientes do mundo, por terem de responder às dificeis questões da filha. A mãe é uma típica dona de casa e o pai trabalha numa companhia de seguros e é um apaixonado por plantas;
Filipe-O melhor amigo de Mafalda, vive constantemente angustiado com a escola embora seja bastante inteligente;
Manelito-Filho do merceeiro do bairro, as suas únicas paixões são a mercearia do pai e o dinheiro, sonha ser milionário;
Miguelito-O mais filosófico do grupo e o mais sonhador, é mais novo um ano em relação aos outros;
Liberdade-Destaca-se por ser muito pequena, é filha de recentes licenciados e por isso não tem grandes capacidades económicas, é contestária e complica o que é fácil;
Susaninha-Melhor amiga de Mafalda, sonha ser uma senhora da alta sociedade e ter monte de filhos;
Gui-Irmão mais novo de Mafalda, é bastante inteligente para a idade e tem ideias revolucionárias

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

A Ler: Astérix (Goscinny & Uderzo)

Sou um amante de banda desenhada francófona (os comics e os mangas não me convencem...) e essencialmente das colecções iniciadas nos anos 50/60, pois actualmente as novas séries não me entusiasmam (excelentes desenhos mas histórias fracas).
De entre todas as séries a que tem o meu maior carinho é "Astérix", toda a sua estrutura é perfeita, excelentes argumentos (Goscinny), desenhos magníficos (Uderzo) e bem inserida no contexto histórico.
Breve resumo- O império Romano conquistou toda a Gália, com a excepção de uma pequena aldeia resistente, cujo segredo da sua independência é a união dos seus habitantes e essencialmente o facto de o druida da aldeia (Panoramix) preparar uma poção mágica que
dá uma força sobre-humana e invulnerabilidade a quem a bebe.
O imperador Júlio César no alto do seu orgulho, não suporta a ideia de que um "punhado" de gauleses ousem questionar a sua autoridade. Este cerca a aldeia com campos entricheirados de modo a tentar conquistá-la (mas normalmente o que costuma acontecer é os romanos levarem uma "sova monumental" dos gauleses).
Ao longo dos álbuns, Astérix e o seu amigo Obélix não combatem apenas os romanos no seu território, viajando até ao Egipto, Grécia, Bretanha (Inglaterra), Helvécia (Suíça), Hispânia (Espanha), Roma e Mesopotâmia.

O que destaca esta série das demais é o seu humor, as personagens carismáticas (principalmente os gauleses) o ambiente histórico bem representado e adaptado para os dias de hoje e os seus desenhos detalhados e humorísticos.
René Goscinny o brilhante argumentista da série deu o seu toque pessoal até ao album "Astérix entre os Belgas" mas infelizmente acabou por falecer, cabendo então ao desenhador Albert Uderzo continuar a saga. Logicamente a história perdeu brilho, mas mesmo assim Uderzo conseguiu "aguentar" o estilo até "Astérix e Latraviata" onde se assiste a uma ruptura com o passado e uma grande redução na qualidade da obra (histórias fracas e pouco consistentes), este facto é perfeitamente vísivel no mais recente livro "O céu cai-lhe em cima da cabeça" onde as lutas com os romanos são deixadas de lado e se centra na chegada de extraterrestres... perfeitamente dispensável!
Apesar da menor qualidade dos albuns recentes, vale mesmo a pena conhecer o mundo de Astérix